Bandeira do ódio 

  
A meu ver, quadrinhos não deveriam se tornar palco de resmungos ou inquietações políticas nem partidárias. Simples assim. Mas ao contrário do que eu gostaria, a coisa tem caminhado em um sentido real de colisão. Intolerância e o brado repetitivo, caso as coisas não saiam como esperado. Leia-se. chilique.

Desde a polêmica vitória de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos os ânimos e declarações tem se tornado, sobretudo no nosso atual cenário polarizado e acima de tudo imbecil, a tônica dos discursos e justificativas/desespero com mais cara de “torcida” do que análise.

O ilustrador Humberto Ramos (Espetacular Homem-Aranha, Tie-in Guerra Civil Wolverine, Fugitivos, Crimson) declarou recentemente via sua conta no Twitter, que não participará de Comic-cons (convenções de quadrinhos) nos Estados onde Trump venceu. Humberto, maldosamente chamado por alguns fãs brazucas de Ruimberto, é mexicano. E diz que sua decisão não é só tomada por uma inflamada atitude ideológica. Provavelmente devido ao imbróglio em relação ao suposto muro que será ou seria, ninguém sabe ao certo, criado entre as fronteiras México-Eua (Mesmo que 30 % dos hispânicos tenham votado no bilionário).

O que faz sentido, mesmo que Bill Clinton (obviamente o mesmo partido de Hillary: é, aquele que votou contra os direitos civis em 1886 e contra o voto da mulher) tenha falado da urgência em criar um muro entre a fronteira lá nos idos de 1997.

Não há dúvida que os discursos de campanha acirraram os tons, sobretudo na reta final da eleição. A Marvel tem tomado a dianteira em manifestos e declarações com uma indiscutível alma progressista democrata, mesmo que Ike Permutter (CEO) tenha doado um milhão de dólares para o U.S Military Veterans, assim como para a própria campanha de Trump. 

O episódio, levou as raias da loucura artistas como G.Willow Wilson (roteirista-Miss Marvel Al-quaeda) que bradou veementemente em seu blog o quanto isso seria negativo aos quadrinhos. Mesmo que 42% das mulheres tenha votado no bilionário empresário.

​George Perez, tarimbado e reconhecido artista (Marvel/Dc) assim como Humberto, também juntou-se ao protesto na última semana, boicotando os estados vermelhos, como são conhecidos os estados onde o candidato republicano venceu. 

Alguns dos Red States tem em sua listas pontos como Geórgia, Wisconsin, Texas, Carolina do Norte, Flórida, Ohio, Arkansas – reduto dos Clintons-, entre outros.

Os fãs devem entender o ponto dos artistas, além de todo direito de não participarem das convenções pelos próximos quatro anos nos estados que votaram em Trump. Isto sim é democracia. Assim, como os artistas deveriam ter a sensibilidade de aceitar o direito das pessoas ao voto. Não importando qual seja. O que não significa que os artistas não são bem-vindos nesses estados ou em suas convenções.

  
Ao longo da história americana, e isso de alguma forma respinga ao redor do mundo, assistimos a mídia com sua voz unilateral, destruir aquilo que vai contra suas diretrizes e o maldito establishment americano.

Se você luta por direitos iguais e o tal do politicamente correto de verdade (não essa malfadada alegoria de mimimis e gritaria imbecilizada) talvez seja melhor não dar as mãos ao partido que tinha a Ku Klux Klan como braço militar, ou práticas de eugenia tão identificadas pelo cúpula Nazista, como representou a doidivana ativista Margareth Sanger, no vil intuito de diminuir a população negra e imigrantes em território americano, se liga, Humberto Ramos.

Pra fechar com chave de ouro, fica a dica aos cabeçóides de plantão, que a ala progressista intelectual (esquerda, xará) foi imensamente responsável pelas cruzadas contra “imigrantes europeus” que eram tachados de geneticamente inferiores. Pra quem não sabe, Jack Kirby, Stan Lee, Jack Liebowitz estão entre alguns dos imigrantes que pavimentaram a indústria dos quadrinhos.

Esperar por compreensão e bom senso, em um mundo caótico onde discursos de ódios e a falta de informação ditam o tom, certamente não é a pedida. Mas você pode muito bem nem se dar conta, do quanto tem andado pelo caminho errado.

Afinal, saber um pouco de história de verdade, é o mínimo que podemos fazer. 

L.M

 

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Autor: hqtru

HQ Trú é um espaço reservado para quadrinhos, gibis, hq entre outros.

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