O Processo de Disneyficação

  
Por Luis Maldonalle

Não há a menor dúvida em o quanto a indústria dos quadrinhos mudou. Do seu antigo método de fabricação e distribuição, aos dias de hoje de Diamond comics e mundo digital. Assim como o olhar artístico, também tenha mudado. 

Infelizmente, esse é o processo natural. As histórias, ou pelo menos parte delas, ganharam contornos de dramaticidade e profundidade, dependendo da linha e o tamanho da coleira editorial.

A meu ver, arte é afinidade, e talvez, não devesse ser justificada. De Ramones a Earth Wind and Fire, Cbs e Slayer, ou de Frazzetta e Moebius aos rabiscos cartunescos das capas atuais de algumas edições fofinhas da Marvel, quase tudo deveria passar pela afinidade. Mas o que vemos é o eterno um centavo a mais no preço de capa. E dá-lhe tirania.

  
O processo, que deveria ser chamado de “disneyficação” alastra-se como fogo sobre mato seco. O leitor de primeira viagem, alheio ao truque barato, e longe do classicismo que tanto preencheu páginas e páginas em uma época que a narrativa gráfica imperava, se curva ao trabalho raso com o único propósito de alinhar o crossmidia bosta atual da MUC (Marvel Cinematic Universe).

No outro lado da corrente, editoras menores como Image, Avatar Press, Dynamite,Vertigo e Dark Horse, fazem jus ao titulo casa das idéias, ou pelo menos permitem ao autores e artistas, que se pense um pouco próximo disso. A resposta, é como o taco de baseball carregado por Earl Tubb em Southern Bastards, uma espécie de “Tarantino Sulista” com Warren Ellis.

Ou no linguajar chulo e escrachado do “Açougueiro” em The Boys de Garth Ennis – o mesmo que fez o Justiceiro soar como um veterano de guerra verossímil, e ousou espirrar tanto sangue na mini-série Vikings– Thor, que mesmo sendo no selo Marvel Max deixa dúvida de como aquilo acabou passando pela linha editorial careta da antiga Timely Comics.

  
Os exemplos estão aí aos montes, Transmetropolitan, Coffin Hill, The Wake, Y, Fábulas, Crossed, Caliban, Courtyard, 30 Dias de Noite, Vampiro Americano, A Pro, Black Hole, 303, Southern Batards entre outros.

Mas no comportado e ilusório mundo corporativista das grandes indústrias o que importa é tratar o leitor, mesmo o recém-chegado, como criança, ou melhor: como retardado. Há mais sangue e violência, além do que chamam de linguagem imprópria em qualquer dia a dia, e vídeo game ou série de TV em plena luz do dia, do que nas 22 páginas mensais de hipocrisia e mentiras puritanas que editores frustrados são obrigados a empurrar goela abaixo de um público já cansado de carregar o fardo da antiga casa das idéias.

  
No mais, não se desespere caso tenha perdido Guerras Secretas PARTE mil, Guerra Civil trinta e sete ou qualquer coisa secreta que venha a surgir. As sagas são medidas coorporativas pra metas trimestrais das editoras. E a única certeza que temos, além da atual falta de comando artístico, é que reboots, ret-cons e sagas aos montes, estão longe de acabar.

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Autor: hqtru

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